Uma carta que li

"Meu querido amigo,

Ontem estava descontrolada, estou chateada porque uma certa pessoa está morando aqui em casa. Essa história vou ficar lhe devendo, depois lhe conto o motivo de tanta raiva.
Voltei da casa de um parente e sentei no computador da casa dos meus pais, escrevi algumas bobagens no twitter, joguei “vida nas passarelas” e baixei os último episódio de The big bang theory, provavelmente você nunca deve ter visto, é uma série nerd que passa em um canal pago. Depois disso, assisti toy store na globo e quando acabou vim para o meu quarto assistir os capítulos que faltava para eu terminar a segunda temporada da série. Achei que isso me animaria porém, me deu sono e eu acabei caindo em um limo tranqüilo e pesado.
Acordei de repente com o grito de uma menininha, sinal que meu ele tinha chegado em casa. Eles ficaram um pouco mais na casa daquele parente onde estava. Olhei as horas e eram quase seis. Esperei para ver se eles iam embora mas, somente a menina foi. Percebi que ele não iria.
Levantei da minha cama, escovei os dentes, peguei algum dinheiro, documento e blusa de frio, sai do meu quarto e o tranquei levando a chave. Passei por de fora da casa e falei tchau para o vento dizendo que iria dar uma volta. Isso era mais ou menos sete horas..
Enquanto caminhava em busca de um Black, mudei minha rota umas três vezes, passei por bares e algumas pessoas ficavam me olhando e alguns paravam para fazer gracinha “olha a patricinha”, penso que eles acharam engraçado uma menina tão bem arrumada em um bar de esquina. Sempre achei e acho que você não quis ficar comigo por causa disso não é mesmo!?
De repente, percebi que estava seguindo a direção da sua casa, então, continuei andando a procura, não queria admitir que queria conversar com você, além do mais, você escolheu à ela e não a mim. Eu sempre me pergunto como você foi tão burro nessa infeliz escolha, mas, quem está escrevendo essa carta que não será enviada sou eu e não a ela. Eu já lhe disse o quanto eu acho o nome dela feio?
Continuando, não encontrei o que queria, eu sabia que não acharia em lugar nenhum perto de minha casa, mas, era aquilo que queria, você sabe né o quanto sou teimosa. Porém, acabei admitindo e decidi ir direto à sua casa, visitar você e desabafar, contar tudo que estava acontecendo comigo e lhe ver, eu poderia apenas lhe ver, observar seus olhos e seu sorriso, como tenho saudade do seu sorriso, e dormir, dormir no seu colo.
Meus pés me levaram até sua casa como se eu fosse lá todos os dias, parei no portão e fiquei com medo, e se você não quisesse me ver, e se você dissesse que sua namorada estava na sua casa e que você preferia ficar lá com ela e se você tivesse dito a sua mãe que se um dia eu aparecesse batendo no portão que era para dizer que você não estava em casa. Esse é o meu maior medo, de sua mãe ter mentido para mim.
Minhas mãos tremendo tocaram a campanhia, sei que ela funcionava porque o cachorro começou a latir, fiquei ansiosa, será que a essa hora em um domingo alguém haveria de me atender? Logo a resposta veio, era sua mãe, desculpa, mas não me lembro do nome dela, ela perguntou o que eu queria e o meu inconsciente mandou uma “o meu amigo mora aqui” traduzindo: “meu amigo ainda mora aqui, ele não se casou e está morando em outro lugar?”. E então, ela me deu a resposta que me fez ir embora na mesma hora, você não estava em casa e não havia recado que eu pudesse deixar, deixei apenas meu nome.
Depois de cinco casas que andei de volta para não sei onde, comecei a chorar, chorei e chorei, não muito, ultimamente meu limite de lágrimas está em falta e por enquanto não encomendei mais.
Mas, meus pés novamente me levaram até a sua casa, mas, não tive coragem de bater de novo. Queria perguntar quando você voltaria mas,no fim voltei para minha casa, acabei comprando no caminho algo que se parecia com o que eu queria, mas, ainda assim não queria entrar em casa. Sentei na calçada e ali fiquei olhando para o nada, pensando em Jesus.
O que será que você acha que aconteceu depois? Será que um bandido passou e me roubou? Será que eu cai no sono e dormi na rua? Será que meu pai apareceu e mandou entrar? Será que eu voltei para sua casa imaginando lhe encontrar na hora em que você tivesse voltando do velório? Ou será que um outro velho amigo estava correndo perto da minha casa e parou para conversar comigo quando me viu?
Acertou se disse a última opção, porém, todas as outras passaram pela minha cabeça e outras mais também, as que eu me lembro agora são essas e de ir para um bar encher a cara até dá um coma alcoólico.
Mas, meu amigo que mora perto de casa, na verdade, ele é mais que um amigo, nós já ficamos e quase namoramos, o larguei porque acho que gosto de outro, infelizmente não sei se gosto mesmo do outro, acho que não. Não sei, mas, acho que a culpa é sua, tenho que ser sincera, depois que eu lhe conheci nunca mais consegui namorar ninguém. Essa é a realidade, sempre que começo a namorar eu já vou inventando uma desculpa para terminar.
Voltando à ontem e ao meu amigo, ele sentou ao meu lado e perguntou o que estava acontecendo, disse a ele tudo, tudo mesmo, sobre a terrível coisa que "aquele morador” fez e sobre minha busca da noite. Ele não ficou surpreso só perguntou se tinha valido a pena e eu disse que tinha gastado apenas sete reais rsrsrsrsrs
Ele é um ótimo amigo até pensei em voltar com ele mas, não queria mais magoá-lo. Sabe, o que mais prezo nas pessoas é a sinceridade, sou sincera comigo e sei que logo acabaria com o relacionamento da mesma forma que eu acabei com o nosso de amizade. Nunca me conformei em ter perdido você, mesmo como amigo.
Ele disse para eu viver a vida da mesma forma que meu pai disse, porém, não sei como viver, sei apenas conviver, mas, não viver. O que faço meu amigo? Hoje preciso da sua palavra ou do seu sorriso mais do que nunca.
Espero como sempre que você esteja bem.

Um grande beijo da sua amiga que te a."

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